sábado, 15 de outubro de 2011
Já ninguém se lembra
Decorria o ano de 2011, quando a 6 de Abril, Teixeira dos Santos veio dizer aos Portugueses aquilo que a maioria atenta já esperava e, passo a citar "É necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu" , trocando por outras palavras, Portugal estava técnicamente falido. Não havia dinheiro e o pouco que restava daria apenas para pagar salários até Maio.
As agências de notação financeira fustigavam diariamente o país, os mercados implacáveis exigiam taxas de juro incomportáveis e, a crise internacional ( com as costas largas) contribuiram para o estado calamitoso em que se encontrava o nosso país. Foram estas, as justificações repetidas até à exaustão pelo executivo de José Socrates, numa tentativa clara de «sacudir a água do capote». Verdade seja dita, o governo de José Socrates roubou, delapidou e malbaratou o erário publico. Não tenho memória de um governo tão despesista e populista, ao ponto de ter duplicado a divida publica portuguesa, em apenas seis anos.
Não vale a pena sofismar os factos, ao fim destes seis anos de má governação o défice situava-se em 8,6% segundo o INE, ou seja, as nossas receitas ordinárias i.e. grosso modo «impostos directos e indirectos» não eram suficientes para fazer face às despesas ordinárias i.e « prestações sociais, educação, saúde, salários etc.», o que nos levou a recorrer a receitas extraordinárias, através da emissão de divida pública e o consequente endividamento nos mercados.
Este mecanismo é perfeitamente usual, os estados emitem divida para posterior investimento e com isso gerar riqueza no país. Contudo, este investimento terá que ser ajustado às necessidades de cada país, e sublinho ajustado, pois quer me parecer que essa palavra não constava do dicionário de Sócrates e Teixeira dos Santos.
Mas o que me leva a escrever este artigo de opinião, é o constatar de uma fraca memória por parte da maioria dos Portugueses, que foram às urnas ditar o fim do governo PS e que volvidos quatro meses, rebelam-se contra a austeridade imposta pela Troika e pelo actual Governo, acusando o executivo de incompetência e desonestidade.
Foram precisos apenas quatro meses, para os portugueses esquecerem todas as atrocidades cometidas pelo anterior governo e, que nos conduziu ao estado em que nos encontramos. Os portugueses esqueceram, o TGV, os inúmeros e inuteis estádios que se construiram na altura do Euro 2004, os rendimentos de inserção distribuidos sem qualquer critério lógico e sem nenhuma medida de fiscalização, os contratos obscuros das PPP’s, os magalhães, as novas oportunidades, as fundações e institutos públicos, o BPN, o BPP, etc.
Os portugueses esqueceram, mas eu não. Não esqueci que o anterior governo, foi o governo dos compadrios, do nepotismo, das demagogias populistas, da encenação .
Um governo que desbaratou dinheiros públicos em nada , porque se formos a analisar bem as coisas, não tiramos proveito de nada. Um governo que endividou os portugueses e comprometeu as gerações futuras, um governo que mentia descaradamente aos portugueses, enquanto o seu lider de fato Armani e um sorriso no rosto regozijava da estupidificação do povo.
A verdade seja dita, se hoje a austeridade nos assola, se estamos a pagar caro as loucuras e os roubos devemos culpabilizar quem nos conduziu a esta situação, a quem de PEC atrás de PEC encaminhou Portugal para o abismo. Não é o actual executivo, que em quatro meses duros de governação trouxe o país ao estado em que está. Esta responsabilidade cabe inteiramente ao governo do PS, como disse a Margaret Thatcher « O Socialismo só dura enquanto há dinheiro dos outros», nada mais correcto.
Esta é a hora do povo se unir, exigir seriedade aos governantes, exigir o fim do despesismo, exigir uma democracia transparente. Esta é a hora dos Portugueses se unirem, ajudarem o vizinho do lado, não virarem a cara às dificuldades, porque tal como eu, acredito que muitos tenham aprendido a lição do socialismo. A austeridade que se avizinha no próximo OE, é imperioso e inevitável para a conquista da credibilidade externa e o equilibrio das contas públicas.
Sejamos pacientes e corajosos, esta é o momento mais dificil, mas também é o momento em que devemos acreditar que é possivel sair desta crise.
Eu acredito.
Jean Herbert 15/10/2011
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E em 2015 a história parece querer repetir-se.... :( Espero estar errada. Devolver isto e mais aquilo enquanto for possível e depois voltamos nós a ficar individados de novo.
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